Começamos esse texto colocando algumas perguntas que nos guiaram durante a curadoria dos filmes, no gesto de criar uma dramaturgia entre os filmes, criando um gesto de montagem, que traz de forma singular o campo simbólico de cada narrativa, de cada olhar para a cena, e que reverbera nesse corpo que está em casa, numa experiência constante de assistir filmes, festivais de cinema, dentro da sua própria casa. Ver o mundo de dentro de casa. E nesta trama de pensamentos e escolhas pontuamos a seguinte pergunta- Como fazer uma seleção de filmes neste ano de 2020, quando tudo parece urgente de ser dito, através das telas, das imagens, dos sons, das narrativas e da relação que se cria entre a coletividade de pensar o comum- o filme- a realização e a afirmação de continuar a fazer cinema.

Trazemos um recorte de filmes que nos apresenta formas diversas de pensar as imagens e sons que se constroem e que trazem experiências de mundo que quer continuar a existir. Filmes pluriversos que quando juntos nos dão a ver uma polifonia do próprio fazer cinema.  E, criam em si um avizinhamento de narrativas tão distintas e que se reverberam em si, dentro dos filmes, mas também para fora, suas questões, seus tensionamentos no fazer ecoar para fora em uma narrativa que grita por sobrevivência. Uma sobrevivência das imagens, uma sobrevivência de si, uma sobrevivência de mundos. Porque falar de mundos possíveis é o que é necessário, de  quando não se sabe ao certo do que será o futuro. E será que já estamos vivendo o futuro da imagem, o futuro das exibições, o futuro sendo vivenciado enquanto experiência no presente.

Então, convidamos vocês a experienciar o percurso dos filmes, e criar possibilidades para as miradas dos corpos, para os agenciamentos de imagens, para sons que ecoam grandiosos em cada cena, perceber as possibilidades de criação da justaposição de textos, o ver a performance dos corpos, perceber um olhar para os territórios envolvidos em cada filmes,  o não mais apagamento das memórias,  e observar os corpos políticos e narrativas políticas que se materializam na tela assistir ao corpo de filmes do Festival NOIA.  

Curadoria 19º Noia